Operação Rei do Pix: Gaeco investiga desvio de R$ 10 milhões na Câmara de Catanduva (SP)

 

Operação Rei do Pix: Gaeco investiga desvio de R$ 10 milhões na Câmara de Catanduva (SP)

fonte da imagem: G1 Globo



Esquema criminoso teria usado transferências instantâneas e laranjas para desviar verba pública do Legislativo municipal entre 2023 e 2024










Na manhã desta terça-feira (2), agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Militar, deflagraram a Operação Rei do Pix na Câmara dos Vereadores de Catanduva, cidade do interior paulista. A ação investiga um suposto esquema criminoso que teria desviado cerca de R$ 10 milhões dos cofres do Legislativo municipal entre 2023 e 2024.

Segundo as investigações, o esquema se valia de transferências via Pix – daí o nome da operação – para enviar recursos públicos a contas de empresas e pessoas físicas ligadas a servidores e assessores parlamentares. A suspeita é que parte do dinheiro desviado tenha sido pulverizada em transações de baixo valor para dificultar o rastreamento, técnica conhecida como “smurfing”. Outra parcela teria sido direcionada a “laranjas” que sacavam os valores em espécie.

Os promotores do Gaeco apontam indícios de fraude em processos de pagamento de fornecedores, superfaturamento de contratos e até mesmo pagamentos por serviços não prestados. Documentos apreendidos na Câmara e extratos bancários obtidos por quebras de sigilo revelaram movimentações atípicas, especialmente em contas ligadas a servidores comissionados de alto escalão.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede do Legislativo e em endereços residenciais de investigados, além do bloqueio de ativos financeiros. Computadores, celulares e documentos foram recolhidos para análise pericial. O Gaeco não informou se houve prisões no local, mas não descarta novas fases da investigação.

O presidente da Câmara de Catanduva, em nota oficial, afirmou que “a Casa está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações” e que “medidas administrativas internas já foram adotadas para apurar eventuais responsabilidades”. A Prefeitura do município declarou não ter envolvimento nos fatos, uma vez que o esquema teria ocorrido exclusivamente no âmbito do Legislativo.


fonte da imagem: Metrópoles



Especialistas em direito público destacam que, se confirmados os desvios, os envolvidos podem responder por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que ultrapassam 20 anos de reclusão. A Operação Rei do Pix é mais um desdobramento das investigações do Gaeco sobre o uso criminoso do sistema de pagamentos instantâneos em gestões municipais paulistas.

As investigações seguem sob sigilo de Justiça. A expectativa é que os desdobramentos ocorram nas próximas semanas, com possíveis indiciamentos e denúncias ao Ministério Público.









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