Inovação cardíaca: Procedimento que ‘limpa’ artérias do coração é feito pela primeira vez no interior de SP

 


Inovação cardíaca: Procedimento que ‘limpa’ artérias do coração é feito pela primeira vez no interior de SP

fonte da imagem: G1 Globo


Técnica inédita na região remove placas de cálcio sem cirurgia aberta e amplia opções para pacientes de alto risco









O interior de São Paulo acaba de sediar um marco na cardiologia intervencionista. Pela primeira vez, o procedimento conhecido como orbit atherectomy – capaz de remover o acúmulo de cálcio nas artérias do coração – foi realizado em Presidente Prudente, no Instituto do Coração (Incor) da cidade. A técnica, até então restrita a poucos centros especializados da capital e de outros estados, chega agora ao oeste paulista como uma alternativa para pacientes com obstruções graves e calcificações que tornam o tratamento convencional por stent inviável ou perigoso.

O paciente beneficiado foi um homem de 68 anos, com histórico de diabetes e hipertensão, que sofria de angina severa – dores no peito constantes, mesmo em repouso. Os exames mostravam uma artéria coronária com calcificação tão densa que o balão tradicional utilizado na angioplastia não conseguia dilatá-la adequadamente. “Era como tentar abrir um cano entupido por cimento. Sem remover o cálcio, qualquer stent colocado ali teria risco de se expandir mal ou trombosar”, explica o Dr. Ricardo Almeida, cardiologista intervencionista que liderou a equipe.

A solução veio com o orbital atherectomy system, um dispositivo de alta rotação que, na ponta de um cateter, utiliza uma coroa coberta por partículas de diamante. Girando em velocidade controlada, a ferramenta pulveriza as placas calcificadas em micropartículas que são naturalmente eliminadas pelo organismo. Diferente de outros métodos, o movimento orbital permite que a lâmina atinja tanto tecidos duros quanto poupe as paredes saudáveis da artéria, reduzindo riscos de perfuração.

O sucesso do procedimento foi confirmado por angiografia imediata: a artéria, antes quase completamente obstruída por cálcio, apresentou fluxo sanguíneo livre. Em seguida, um stent farmacológico foi implantado com segurança. O paciente recebeu alta após 48 horas, já sem os sintomas debilitantes.

Para o Incor de Presidente Prudente, a conquista representa a interiorização da alta complexidade cardiológica. “Antes, pacientes com esse perfil precisavam viajar para São Paulo ou outros estados, enfrentando filas e custos elevados. Agora, temos autonomia para tratar casos que antes eram considerados inoperáveis por métodos convencionais”, comemora a diretora do instituto, Dra. Mariana Campos.

A técnica não é indicada para todos os casos – apenas para aqueles com calcificação superficial grave que impeça a passagem do balão ou a adequada expansão do stent. Mas, segundo especialistas, ela preenche uma lacuna crucial no tratamento da doença arterial coronariana, que lidera causas de morte no Brasil. “Estamos falando de uma ‘limpeza’ arterial precisa, que restaura a qualidade de vida e evita cirurgias de revascularização muito invasivas em pacientes idosos ou com comorbidades”, complementa o Dr. Ricardo.

A expectativa agora é que mais hospitais do interior paulista invistam na tecnologia, ampliando o acesso a esse recurso. Enquanto isso, o paciente de Prudente já retomou atividades cotidianas, como caminhadas ao ar livre – algo que, há duas semanas, era apenas um sonlo distante. A reportagem foi ao ar em parceria com a EBC.





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