Entenda por que o MP recusou Acordo de Não Persecução Penal em ação que tornou Deolane e Marcola réus

 

Entenda por que o MP recusou Acordo de Não Persecução Penal em ação que tornou Deolane e Marcola réus




Ministério Público detalha os motivos que o levaram a não oferecer o benefício à influenciadora, em meio a investigação por lavagem de dinheiro ligada ao PCC









A decisão da Justiça de São Paulo que aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou a influenciadora Deolane Bezerra e o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro trouxe à tona os fundamentos que levaram o órgão a recusar a proposta de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) para os investigados .

O juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, interior de São Paulo, recebeu a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta semana, abrindo caminho para a ação penal contra a influenciadora e outros cinco acusados .

O Ministério Público Estadual detalhou em sua manifestação três razões principais para não oferecer o acordo à influenciadora e aos demais denunciados. O primeiro motivo é que a soma das penas mínimas previstas para os crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, com as causas de aumento incidentes, supera o teto de quatro anos estabelecido pelo artigo 28-A do Código de Processo Penal para a admissibilidade do benefício .

Além disso, o MP apontou que os denunciados não apresentaram confissão formal e circunstanciada, outro requisito obrigatório para a celebração do ANPP . O terceiro fundamento é que Marcola e Alejandro são reincidentes, condição que impede o oferecimento do acordo segundo o §2º do artigo 28-A do CPP .

A gravidade concreta do caso também pesou na decisão. Segundo o MP, o acordo não se mostra necessário nem suficiente para a reprovação e prevenção dos crimes, diante das circunstâncias que envolvem o suposto esquema criminoso — atuação de facção violenta de alcance nacional, estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro e planos de expansão internacional das atividades ilícitas . As investigações apontam que a influenciadora mantinha dinheiro do PCC em seus imóveis e planejava transferir valores para Dubai, em uma estrutura internacional de ocultação de ativos .

O ANPP é um instrumento jurídico previsto no Pacote Anticrime (Lei 13.964/19) que permite a resolução de conflitos criminais cometidos sem violência ou grave ameaça de forma mais célere -1. No entanto, o MP reforçou que o pedido de prisão domiciliar da influenciadora não se aplica, pois se trata de caso de organização criminosa que opera mediante violência .

A investigação, iniciada em 2019 a partir da apreensão de manuscritos no presídio de Presidente Venceslau, apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a Transportadora Lado a Lado, que teria movimentado recursos da facção . A influenciadora é apontada como receptora de repasses fracionados da empresa. Relatórios do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) indicam que Deolane movimentou R$ 27 milhões incompatíveis com sua capacidade econômica declarada .

Os demais denunciados são Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (irmão de Marcola), os sobrinhos do líder do PCC Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do grupo .

A defesa de Deolane, conduzida pelo criminalista Aury Lopes Jr., sustenta a inocência da influenciadora e afirma que seus rendimentos têm origem lícita, negando qualquer vínculo com o crime organizado . Já a defesa de Marcola e seus familiares, representada pelo advogado Bruno Ferullo, alega que a prisão em unidade federal de segurança máxima torna inviável qualquer participação nos fatos investigados .

Com a decisão, os acusados têm até 10 dias para apresentar resposta escrita à acusação .





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