Pianista de Adamantina toca dois pianos ao mesmo tempo e transforma sonho de infância em carreira musical: 'Sempre foi muito esforço'
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Nascida e criada em Adamantina (SP), Jay Bergamini relembra o início da trajetória, o incentivo dos pais e os desafios de dominar uma técnica única: tocar dois pianos simultaneamente
O sonho que nasceu aos quatro anos de idade foi crescendo com o passar do tempo e, aos 18, levou uma jovem de Adamantina (SP) a deixar a cidade natal para estudar música em São Paulo e buscar uma carreira na área. Hoje, aos 33 anos, a pianista e cantora Jay Bergamini coleciona apresentações em programas de TV nacionais e internacionais, mas garante que nada foi fácil: "Sempre foi muito esforço" .
A paixão pela música começou cedo. Quando ainda era uma criança, Jay se encantava com os instrumentos tocados na igreja e pedia insistentemente aos pais para aprender piano. "Eu comecei a pedir para aprender piano desde os quatro anos, só que meus pais não levaram muito a sério e decidiram esperar", relembra .
Aos seis anos, o pedido foi finalmente atendido. Jay foi matriculada em uma escola de música em Adamantina, onde estudou até os 15 anos. Foi nesse momento que um convite inesperado mudou os rumos de sua vida: a professora, dona da escola, iria se mudar e queria vender o negócio para os pais da jovem, que era considerada uma aluna extremamente dedicada .
A família não tinha condições financeiras para comprar o estabelecimento — o dinheiro guardado durante anos seria para construir a casa própria, e ainda havia o planejamento da festa de 15 anos. Diante da situação, Jay precisou escolher: a comemoração ou a escola de música. "Ele [o pai] explicou a situação e falou que poderia me dar uma das duas coisas, daí eu escolhi a música", conta .
A responsabilidade veio cedo. "Foi uma responsabilidade muito grande na época. Mas eu aprendi muita coisa. Desde lecionar em si, até a parte administrativa, que eu não tinha ideia nenhuma, minha família também não. Nunca tivemos negócio assim na família e fomos aprendendo", relembra a pianista .
Do interior para a capital
Aos 18 anos, Jay se mudou para São Paulo para estudar regência e aprofundar os conhecimentos musicais. A preparação intensa entre os 15 e 18 anos foi o trampolim para a carreira. Na capital, conseguiu uma vaga em uma escola de música, mas não como professora — foi contratada como coordenadora musical. "Por eu ser muito 'novinha', as pessoas duvidavam", comenta .
O negócio da família em Adamantina, que ela ajudou a gerir durante três anos, foi o que abriu as portas para que Jay pudesse seguir no mundo da música. Após venderem a escola, os pais conseguiram realizar o sonho da casa própria, e Jay seguiu em frente. Em 2017, representou o Brasil em um festival de piano em Portugal. Em 2019, formou-se em bacharelado em piano, e em 2024 iniciou o mestrado, com pesquisa sobre os balés de Tchaikovsky .
"Desde pequena, sabia muito o que eu queria. Com 12 anos de idade, eu dizia que, com 18 anos, eu ia para São Paulo, porque lá teria o curso que eu quero fazer. Eu quero fazer regência", recorda .
Dois pianos, uma paixão
Entre as habilidades que chamam a atenção nas apresentações de Jay está a capacidade de tocar dois pianos ao mesmo tempo — uma técnica que desenvolveu ao longo dos anos e que virou sua marca registrada em programas de TV como Caldeirão do Huck, Programa do Ratinho, Hora do Faro e Faustão na Band .
"A mão direita eu toco na parte aguda do piano, a mão esquerda na parte grave, e em dois pianos eu vou continuar fazendo isso. Eu tenho que pôr as músicas de um tom para o outro; talvez eu não use o tom original delas, porque tem que combinar de uma música para outra", explica .
Jay afirma que transita entre diferentes formatos de apresentação, do entretenimento a recitais mais tradicionais. "Eu gosto de ser uma artista multidisciplinar. Eu tenho o número [apresentação] da TV mediática, mas eu também tenho um número que eu faço em recital, que é uma coisa mais séria… Eu sei também migrar entre esses ambientes" .
Apesar de todo o sucesso, a pianista não romantiza a trajetória. "Eu não romantizo, porque sempre foi muito difícil, apesar de não parecer. Desde pequena, sabia muito o que eu queria. Foram muitos desafios que eu tive que aprender sozinha. Essa força de vontade que eu tive, acho que levou à experiência que eu precisava para fazer todo o resto", descreve.
"Eu vejo a música como qualquer outra profissão, apesar de ser tudo para mim", conclui. "Nunca tive um plano B, era o plano A: só a música. Nada foi fácil." .
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