Deolane Bezerra: O “Caixa” do PCC que planejava expansão internacional da lavagem de dinheiro

 

Deolane Bezerra: O “Caixa” do PCC que planejava expansão internacional da lavagem de dinheiro


fonte da imagem: G1 Globo


MP revela que influenciadora articulava esquema para enviar dinheiro do tráfico a outros países, usando negócios e influência digital como fachada.












Apontada pelos investigadores como uma espécie de “caixa” do Primeiro Comando da Capital (PCC), a influenciadora e advogada Deolane Bezerra teve novos detalhes de sua ligação com a facção criminosa revelados nesta quarta-feira (10). De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Deolane não apenas movimentou milhões de origem ilícita, como também planejava levar o esquema de lavagem de dinheiro para o exterior, ampliando a atuação financeira da organização criminosa em nível internacional.

As investigações, que integram a operação deflagrada no último mês, indicam que Deolane mantinha contato direto com lideranças do PCC e oferecia sua estrutura pessoal e profissional — incluindo escritórios de advocacia, empresas de fachada e contratos de publicidade — para dissimular a origem do dinheiro do tráfico de drogas, contrabando de armas e outros crimes. Documentos apreendidos e quebras de sigilo telefônico mostram diálogos em que a influenciadora discute a abertura de contas e empresas em países como Paraguai, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.

“Ela era tratada como peça-chave do setor financeiro da facção. Não uma simples laranja, mas uma gestora ativa dos recursos, com poder de decisão sobre valores e destinos do dinheiro”, afirmou um dos promotores à imprensa. A expressão “caixa” usada nos autos reflete o papel de Deolane como guardiã e distribuidora de grandes somas, muitas vezes convertidas em ativos de alto valor, como imóveis, veículos de luxo e criptomoedas.

Segundo o MP, o plano de expansão internacional previa a instalação de empresas de fachada no setor de entretenimento e eventos, áreas nas quais Deolane já atuava com sua imagem pública. A ideia era usar shows, festas e influenciadores digitais contratados para movimentar valores sem levantar suspeitas. “O objetivo era exportar o modelo de lavagem que já funcionava no Brasil. O PCC queria internacionalizar sua lavagem, e Deolane seria a frente visível desse processo”, detalha relatório policial.

A defesa de Deolane Bezerra nega todas as acusações e afirma que ela é vítima de perseguição midiática e judicial. Em nota, seus advogados declararam que “não há provas de qualquer vínculo com o PCC ou com planejamento de lavagem de dinheiro” e que as investigações “se baseiam em interpretações distorcidas de conversas privadas”.


fonte da imagem: G1 Globo



A Justiça já decretou o bloqueio de bens da influenciadora que ultrapassam R$ 50 milhões, incluindo mansões, carros de luxo e contas bancárias no exterior. As autoridades brasileiras também acionaram a cooperação jurídica internacional para rastrear eventuais ativos ocultos em paraísos fiscais.

Especialistas em lavagem de dinheiro ouvidos pela reportagem apontam que o uso de influenciadores digitais por facções é uma tendência crescente no crime organizado, pois permite incorporar dinheiro sujo ao circuito de consumo de luxo e marketing de estilo de vida, sem despertar alarmes. “O grande risco é a normalização da origem criminosa do dinheiro por meio da exposição pública. Quando uma celebridade aparece com ostentação, poucos questionam”, analisa um consultor.

Com as novas revelações, as investigações devem avançar para outros nomes do universo digital e do funk que podem ter atuado como intermediários no esquema. Deolane segue presa preventivamente, aguardando decisão sobre pedido de habeas corpus. O caso, agora de repercussão internacional, expõe as sofisticadas ramificações financeiras do PCC e o papel de figuras públicas na blindagem do crime organizado.




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