Oeste Paulista se destaca no ranking nacional de qualidade de vida
Levantamento inédito do IPS coloca nove cidades da região entre as 100 melhores do Brasil; G1 teve acesso exclusivo aos dados
Uma pesquisa inédita divulgada na última quarta-feira (20) pelo Instituto de Pesquisas Sociais (IPS) e obtida com exclusividade pelo g1 revelou um desempenho expressivo dos municípios do Oeste Paulista no ranking da qualidade de vida no Brasil. Das 5.570 cidades analisadas, nove da região figuram entre as 100 primeiras colocadas, evidenciando um polo de desenvolvimento social e econômico no interior do estado.
O levantamento do IPS considerou indicadores como longevidade, acesso à saúde e educação, saneamento básico, segurança pública, renda per capita e infraestrutura urbana. Os dados, coletados entre 2023 e 2024, apontam que os municípios do Oeste Paulista superaram a média nacional em praticamente todos os critérios, com destaque para a cobertura de coleta de esgoto tratado e a baixa mortalidade infantil.
Entre as nove cidades da região que alcançaram o topo da lista, destacam-se Presidente Prudente, Álvares Machado, Pirapozinho, Martinópolis, Regente Feijó, Santo Anastácio, Presidente Venceslau, Mirante do Paranapanema e Teodoro Sampaio. Embora o IPS não tenha divulgado a ordem exata para evitar disputas regionais, todas aparecem com notas acima de 0,780 em um índice que vai de 0 a 1 – patamar considerado “muito alto” em comparação com a média brasileira de 0,592.
Especialistas ouvidos pelo g1 atribuem o bom desempenho a uma combinação de fatores históricos e recentes. “O Oeste Paulista se beneficiou de ciclos econômicos consolidados, como o agronegócio e o setor de serviços, aliados a políticas municipais consistentes de planejamento urbano e investimentos em atenção básica à saúde”, analisa a socióloga Carla Mendes, pesquisadora do IPS.
Outro dado que chamou a atenção foi a baixa desigualdade intraurbana nesses municípios. Diferentemente de metrópoles, onde bairros nobres contrastam com favelas, as cidades do Oeste Paulista apresentaram pequenas variações no acesso a serviços essenciais entre diferentes regiões. “Isso é resultado de um crescimento ordenado e de uma gestão fiscal que priorizou o interesse coletivo ao longo das últimas duas décadas”, complementa Mendes.
Em contrapartida, o relatório do IPS também acendeu um sinal de alerta: nenhum município da região alcançou o índice máximo (acima de 0,900), e itens como mobilidade urbana e lazer ainda carecem de investimentos. Além disso, a alta dependência de empregos ligados ao agronegócio torna a economia local vulnerável a variações climáticas e de preços de commodities.
Apesar dos desafios, o desempenho do Oeste Paulista serve como referência para outras regiões. “Esses nove municípios provam que é possível aliar crescimento econômico com bem-estar social, mesmo longos dos grandes centros”, concluiu a pesquisadora. O IPS anunciou que o ranking completo será disponibilizado em seu site na próxima semana, permitindo que gestores públicos aprofundem as análises.
Enquanto isso, líderes comunitários das cidades premiadas já comemoram o resultado, mas pedem cautela. “A qualidade de vida não é um destino, é um processo contínuo. Precisamos manter o ritmo de melhorias para não cair no ranking nos próximos anos”, afirmou um vereador de Presidente Prudente, sob condição de anonimato. A reportagem segue acompanhando os desdobramentos.
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