Investigação aponta Deolane como “verdadeiro caixa” do PCC; entenda

 


Investigação aponta Deolane como “verdadeiro caixa” do PCC; entenda

fonte da imagem: CNN Brasil



Expressão aparece em documento que embasou pedido de prisão preventiva e descreve papel atribuído à influenciadora em suposta estrutura de lavagem de dinheiro










A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, de 37 anos, foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação aponta que ela atuava como “verdadeiro caixa” do Primeiro Comando da Capital (PCC), desempenhando papel central em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro da facção criminosa .

A expressão consta do relatório policial que fundamentou o pedido de prisão preventiva. Segundo o documento, “restou demonstrado que Deolane Bezerra funciona como um verdadeiro caixa da facção criminosa, ocultando valores em seu nome, os quais estão sempre disponíveis à ORCRIM (organização criminosa)” . Os investigadores afirmam ainda que sua “atuação pública e midiática favorece referida situação, transparecendo ares de legalidade” .

O que significa ser o “caixa” da organização

No contexto investigativo, a expressão não se refere à guarda física de dinheiro, mas sim à função de receber, movimentar, concentrar e dar aparência de origem lícita a recursos supostamente vinculados à facção . Segundo o delegado Edmar Caparroz, um dos responsáveis pela investigação, “a Deolane, até pelo poder econômico que ela adquiriu ao longo do tempo e pela sua influência, funcione como uma espécie de caixa do crime organizado” .

Na prática, o esquema funcionava da seguinte forma: valores do PCC eram depositados em contas ligadas à influenciadora, misturados a recursos de outras atividades e, posteriormente, devolvidos à organização criminosa — um processo que dificulta o rastreamento financeiro . “O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado”, explicou Caparroz .

A origem da investigação

As apurações que culminaram na prisão de Deolane tiveram início em 2019, com a apreensão de bilhetes e manuscritos trocados entre integrantes do PCC na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista . Os documentos mencionavam uma “mulher da transportadora”, que seria responsável por levantar endereços de agentes públicos para subsidiar ataques da facção .

A partir dessa pista, os investigadores chegaram a uma empresa de transportes localizada em Presidente Venceslau — a Lopes Lemos Transportes Ltda. — que funcionaria como o braço financeiro do PCC . Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. O conteúdo do aparelho revelou conexões financeiras com a influenciadora, incluindo imagens de depósitos para contas de Deolane e de Everton de Souza, conhecido como “Player” .

Everton de Souza, que também foi preso na operação, é apontado pela polícia como operador financeiro da família Camacho, responsável por indicar quais contas deveriam receber os valores dos “fechamentos” mensais do PCC .

Números bilionários e patrimônio incompatível

As cifras envolvidas no esquema impressionam os investigadores. Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, apenas Deolane movimentou R$ 140 milhões em dois anos — sem qualquer comprovação de serviços prestados que justificassem os valores . “Ela não tem absolutamente nenhuma comprovação de serviço prestado, sendo de advocacia ou de outra forma que justifique esse numerário”, afirmou Gakiya em entrevista à CNN .

Um laudo pericial anexado ao inquérito descreve uma “malha financeira estruturada” em torno da influenciadora, com movimentação global superior a R$ 140 milhões em créditos e débitos .


fonte da imagem: Ecos da noticia



A Justiça determinou o bloqueio de R327���ℎ�~��∗∗���������������������������������������,���������������,���ˊ�������ıˊ�����������[��������:1][��������:8].�����������ıˊ�������������,����������������������∗∗�327milho~es∗∗embenseativosfinanceirosdosinvestigados,incluindocontas,imoˊveiseveıˊculosdeluxo[citation:1][citation:8].NocasoespecıˊficodeDeolane,forambloqueadoscercade∗∗R 27 milhões .

Entre os bens apreendidos ou identificados pela investigação estão:

Duas Land Rover e um Porsche avaliado em R$ 1 milhão 


Um terreno em Tamboré, na Grande São Paulo 


Múltiplos imóveis de luxo 
Empresas de fachada e “pejotização” do crime

A investigação revelou que Deolane mantinha dezenas de empresas registradas em endereços incompatíveis com sua capacidade financeira — o que o Ministério Público classificou como uma espécie de “pejotização” do crime organizado .

Segundo o promotor Lincoln Gakiya, a influenciadora chegou a ter 35 empresas abertas em Martinópolis, região de Presidente Prudente, todas registradas em um conjunto habitacional de baixa renda . Outras 15 empresas foram abertas em Santo Anastácio, com o mesmo padrão .

“Isso foi aberto justamente para que ela pudesse tentar despistar as autoridades, inclusive a Receita Federal, e poder continuar lavando dinheiro, justificando que esse dinheiro que ela possui seja todo ele relativo às suas atividades nas redes sociais”, concluiu Gakiya .

Entre as empresas citadas pela polícia estão PagFast Cobrança e Serviços em Tecnologia Ltda., Lucas Cosméticos Ltda. e Jarinu Anúncios do Brasil Ltda. De acordo com os investigadores, essas companhias transferiram mais de R$ 5,7 milhões para a Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda., empresa da influenciadora .

Depósitos fracionados e uso de fintechs

A análise das contas bancárias de Deolane entre 2018 e 2021 identificou uma série de depósitos em espécie fracionados, sempre em valores inferiores a R10���∗∗—��ˊ��������ℎ���������“��������”,����������������������������������ˊ��������������������[��������:5].�������,���������ˊ������ℎ�����∗∗�10mil∗∗—teˊcnicaconhecidacomo“smurfing”,usadaparaevitarorastreamentoautomaˊticopelasautoridades[citation:5].Somados,essesdepoˊsitoschegama∗∗R 1.067.505,00 .

A investigação também aponta que o uso de fintechs (empresas de tecnologia financeira) ampliou significativamente o volume de recursos movimentados. Segundo a polícia, foram identificadas transações recorrentes com empresas cuja movimentação seria incompatível com a atividade declarada.

Relacionamento com a cúpula do PCC

A proximidade de Deolane com a cúpula do PCC é um dos pontos centrais da investigação. Segundo o Ministério Público, ela mantinha relacionamento próximo com a família de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola — apontado como chefe máximo da facção, que já cumpre mais de 200 anos de prisão .

“Tem várias fotos de aniversário, de presença dela em aniversários, em viagens com a família do Alejandro [irmão de Marcola]”, afirmou o promotor Gakiya . A influenciadora também teria tido grande proximidade com Everton de Souza, o operador financeiro das contas de Marcola e Alejandro .

fonte da imagem: CNN Brasil



Para Gakiya, Deolane representa a “nova imagem do PCC” :


“Ela não é uma faccionada, nunca foi integrante e não é batizada, mas é do que o PCC hoje, no estágio que está, com o dinheiro que recebe, e os seus integrantes do tráfico internacional de cocaína para a Europa, fazer esse dinheiro voltar para a economia formal e tramitar, inclusive, pelo mercado financeiro. E aí surgem oportunidades.” 

Os outros alvos da Operação Vérnix

Além de Deolane, a operação prendeu ou mira outras pessoas ligadas à cúpula do PCC :

Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola) — líder da facção, já preso em Brasília


Alejandro Herbas Camacho — irmão de Marcola


Everton de Souza (“Player”) — apontado como operador financeiro


Paloma Sanches Herbas Camacho — sobrinha de Marcola, foragida na Espanha


Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho — sobrinho de Marcola, foragido na Bolívia

A Justiça determinou a inclusão dos dois sobrinhos na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo de captura internacional .
O que diz a defesa

Procurada, a defesa de Deolane Bezerra ainda não se manifestou oficialmente sobre os fatos. O advogado Luiz Imparato afirmou que está se “inteirando dos fatos” . O espaço permanece aberto para manifestação.

Em nota enviada à imprensa após a prisão, a defesa já havia contestado as alegações, afirmando que a detenção seria uma forma de perseguição antes do devido processo legal 
Próximos passos

O promotor Lincoln Gakiya afirmou que a denúncia contra Deolane deve ser apresentada “nos próximos dias”, com imputação dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro . “Há provas muito consistentes em relação a ela. Eu posso dizer que está muito consistente e há comprovação de envolvimento direto dela com o PCC e com a família Camacho na lavagem de dinheiro”, declarou ao UOL .

É importante ressaltar que a prisão preventiva — mantida pela Justiça após audiência de custódia — não representa condenação. As alegações da investigação ainda serão examinadas no curso do processo, com garantia de ampla defesa e contraditório aos investigados .

A decisão judicial que converteu a prisão em preventiva registra expressamente que a medida “não se trata de antecipação de pena, mas de verdadeira instrumentalização da fase processual” .


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