Escamas, penas e pelagem sob vigilância: o desafio das apreensões de animais silvestres em Presidente Prudente
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Em três anos, PM Ambiental recolheu mais de 1,4 mil bichos, incluindo capivaras, maritacas e quatis; tráfico e criação ilegal pressionam a fauna da região.
Nos últimos três anos, a região de Presidente Prudente (SP) tornou-se um termômetro preocupante do comércio ilegal de animais silvestres no interior paulista. Dados da Polícia Militar Ambiental revelam que, entre janeiro de 2023 e a primeira quinzena de maio de 2026, foram registradas mais de 1,4 mil apreensões de bichos mantidos em cativeiro irregular ou resgatados de situações de captura. Entre as espécies mais recorrentes estão capivaras, maritacas e quatis – animais que, embora carismáticos, sofrem com a ação de criadores amadores e traficantes.
As capivaras, maior roedor do mundo, aparecem frequentemente em resgates realizados em sítios e chácaras da região. Apesar de seu comportamento sociável, a espécie exige espaço semi-aquático e dieta específica, condições raramente oferecidas por criadores ilegais. Já as maritacas (Psittacidae) são vítimas habituais do tráfico de aves: seu canto exuberante e plumagem colorida as transformam em alvo de colecionadores. Os quatis, mamíferos da família dos guaxinins, são encontrados tanto em gaiolas improvisadas quanto em residências urbanas, onde são tratados como "animais de estimação exóticos".
A maioria das apreensões ocorre a partir de denúncias anônimas. Segundo o capitão Rodrigo Fernandes, comandante da 3ª Companhia da PM Ambiental, “a população tem colaborado cada vez mais, mas ainda há um desconhecimento profundo sobre a lei”. Manter um animal silvestre sem autorização do Ibama é crime ambiental, previsto na Lei 9.605/98, com penas que podem chegar a multas de R$ 5 mil por animal e detenção.
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| fonte da imagem: G1 Globo |
O balanço inclui ainda jabutis, ouriços-cacheiros e inúmeras espécies de passeriformes. A maioria dos animais, quando saudável, é devolvida à natureza em áreas de preservação da Mata Atlântica e do Cerrado. Aqueles que apresentam debilidades ou se tornaram dependentes de humanos seguem para centros de triagem e reabilitação, como o CETAS de Bauru.
Especialistas alertam: a compra de animais silvestres legitima uma cadeia cruel de captura, que muitas vezes mata a mãe e os filhotes durante o transporte clandestino. A recomendação é jamais adquirir bichos de criadores não autorizados e denunciar qualquer suspeita pelo telefone 190. A fauna prudentina agradece – e sobrevive – a cada apreensão que devolve ao mato o que nunca deveria ter saído de lá.
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