The Blacklist: Reddington nos enganou pela última vez?
O fim do criminoso mais elegante da TV deixou fãs divididos entre a despedida definitiva e a suspeita de mais um golpe de mestre
Durante dez temporadas, Raymond “Red” Reddington ensinou ao público uma lição simples: nunca acredite no que você vê. O personagem vivido por James Spader mentiu, manipulou, desapareceu e voltou dos mortos mais vezes do que qualquer fã consegue contar. Por isso, quando The Blacklist chegou ao fim em julho de 2023, na NBC, muita gente se fez a mesma pergunta: será que Red realmente morreu, ou esse foi seu último e mais brilhante truque?
A queda de um império
A reta final da série foi construída como uma lenta demolição. Com a lista negra exposta e a força-tarefa do FBI sob investigação, Reddington perdeu, um a um, os recursos que o tornavam intocável. Harold Cooper, o homem que por anos sustentou a parceria improvável entre o governo e o criminoso, viu a própria carreira ameaçada. Red, acostumado a estar sempre três passos à frente, começou a agir como alguém que sabia que o jogo estava acabando.
E sabia mesmo. Desde temporadas anteriores, o público acompanhava sinais de que Reddington convivia com uma doença grave e havia escolhido não tratá-la. Sem Elizabeth Keen, morta no fim da oitava temporada, e com seu mundo desmoronando, o “Concierge do Crime” parecia mais disposto a escolher o próprio fim do que a deixá-lo nas mãos de outros.
A última cena na Espanha
O episódio final, “Raymond Reddington: Good Night”, leva Red e seu fiel companheiro Dembe até a Espanha. Ali, longe do FBI e dos inimigos, o personagem protagoniza uma das despedidas mais simbólicas da televisão recente. Sozinho em uma arena, ele encara um touro de frente, sem fugir, sem disfarces, sem plano B. O animal avança, e Reddington cai.
Pouco depois, Dembe o encontra sem vida. A cena é silenciosa, quase íntima: o amigo de toda uma vida segura o corpo de Red e se despede com ternura. Não há explosão, não há reviravolta de último minuto, não há helicóptero esperando nos bastidores. Apenas um homem que decidiu morrer do jeito que viveu, nos próprios termos.
Golpe ou despedida?
É justamente essa simplicidade que alimentou as teorias. Um personagem que fingiu tantas mortes, que trocou de identidade e escondeu o próprio passado, morreria assim, de forma tão direta? Nas redes sociais, fãs levantaram hipóteses: o touro seria uma encenação, Dembe faria parte do plano, e Red estaria agora tomando vinho em algum lugar do Mediterrâneo.
Os responsáveis pela série, porém, trataram de esfriar essas ideias. O showrunner John Eisendrath afirmou em entrevistas que a morte é real e que a intenção era dar ao personagem um fim coerente com sua trajetória: um homem que controlou tudo até o último instante, inclusive a hora e o lugar de partir.
O mistério que ficou
Se há algo que Reddington levou consigo, foi a resposta para a pergunta que acompanhou toda a série: quem ele realmente era. A produção deu pistas, sugeriu identidades e brincou com a curiosidade do público, mas nunca entregou uma confirmação definitiva. Talvez esse seja o verdadeiro “último engano” de Red: não a morte, mas o segredo que permaneceu guardado.
No fim, The Blacklist escolheu encerrar a história com coragem. Reddington não enganou ninguém dessa vez; ele simplesmente se despediu. E, para um personagem que passou dez anos fugindo, encarar o próprio destino de frente talvez tenha sido o gesto mais surpreendente de todos.
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