Polícia prende últimos foragidos e encerra operação contra plano do PCC para matar autoridades no interior de SP
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Com as duas capturas desta sexta-feira, os quatro suspeitos estão apontados como membros da célula que monitoraram o promotor Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina sob custódia do Estado
Os dois últimos foragidos investigados por suposto envolvimento em um plano de assassinato contra autoridades do Oeste Paulista foram presos nesta sexta-feira (14), em Presidente Prudente e Álvares Machado, no interior de São Paulo. Com as capturas, a Polícia Civil e a Polícia Militar deram por encerrada a Operação Recon, cadeia de investigações e ações táticas que, desde outubro do ano passado, mirava uma célula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeita de ataques planejados contra um promotor de Justiça e um coordenador de unidades prisionais da região.
Como terminou a operação
A prisão dos dois últimos forgidos comprovados de uma ação conjunta entre o Grupo de Operações Especiais da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (GOE/DEIC 8) e o 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (8º BAEP) da Polícia Militar. As equipes localizaram os investigados em endereços nas cidades de Presidente Prudente e Álvares Machado, ambas na região Oeste do estado, e efetuaram as prisões sem intercorrências relatadas pelas autoridades.
Com os dois capturados nesta sexta-feira, os quatro homens apontados pela investigação como integrantes da chamada célula de reconhecimento e vigilância do PCC estão agora sob custódia do Estado. Segundo a Polícia Civil, os presos deverão responder por sua participação no esquema que monitorava a rotina das potenciais vítimas, e a corporação já solícita à Justiça que os quatro sejam incluídos no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), regime mais especificamente do sistema prisional brasileiro, reservado a detentos considerados de alta periculosidade ou com liderança em organizações criminosas.
Aal da Recon
A Operação Recon foi deflagrada em 24 de outubro de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), em parceria com a Polícia Civil, após meses de apuração sobre um suposto plano da facção para atacar autoridades públicas responsáveis pelo combate ao crime organizado na região. Na ocasião, foram cumpridos 25 mandatos de busca e apreensão em sete cidades do Oeste Paulista: Presidente Prudente (11 mandatos), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1).
Os dois principais alvos do plano investigado eram o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Presidente Prudente, e Roberto Medina, coordenador das unidades prisionais da região Oeste do estado, ligado à Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Oeste (Croeste). De acordo com o Ministério Público, o esquema não se limitou a monitorar os próprios agentes públicos: familiares das autoridades também tiveram que ser alvo de levantamento de rotina, endereços e trajetos, com o possível especificamente de subsidiar a preparação de atendidos.
A apreensão de celulares e outros dispositivos dos investigados na fase inicial da operação permitiu à polícia recuperar trocas de mensagens, imagens, vídeos e registros de geolocalização que, segundo a purificação, demonstraram o acompanhamento sistemático da rotina de Gakiya e de Medina. O material também teria revelado tratativas para a compra de fuzis, além de acusações de envolvimento dos suspeitos com o tráfico de drogas — elementos que, de acordo com o investigador, ajudaram a comprovar a vinculação do grupo à estrutura do PCC.
Quem são os alvos do plano
Lincoln Gakiya é um dos nomes mais conhecidos do Ministério Público paulista na linha de frente contra o PCC. Promotor do Gaeco há décadas, ele vive há pelo menos vinte anos sob ameaça declarada da facção e, nos últimos dez, sob escolta policial permanente. A primeira ameaça de morte contra ele foi registrada em 2005. Ao longo da carreira, Gakiya esteve à frente de ações que resultaram na transferência de lideranças de alto escalonamento do PCC para presídios de segurança máxima, incluindo, em 2019, a operação de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, indicado como principal chefe da organização, e outros membros do núcleo de comando da facção.
Roberto Medina, por sua vez, responde pela forma cooperativa de unidades prisionais na região Oeste paulista, área que concentra presídios estratégicos no combate à atuação do PCC dentro e fora do sistema carcerário. A posição o colocar, segundo a investigação, na mira do mesmo esquema de vigilância voltado contra Gakiya.
Desdobramentos judiciais do caso
Parte dos suspeitos ligados à Operação Recon já havia sido levada a julgamento antes da conclusão das buscas anunciadas nesta sexta-feira. Em fevereiro deste ano, a Justiça de São Paulo condenou dois integrantes apontados como parte da célula — identificados como Victor Hugo da Silva e Gabriel Custódio dos Santos — a penas de cinco e sete anos de reclusão em regime inicial fechado, respectivamente. Os dois já foram presos preventivamente desde tráfico de drogas e deflagração da operação, em outubro de 2025.
Mais recentemente, o Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra outros quatro homens apontados como membros da mesma célula de inteligência do PCC, responsável, segundo a acusação, por monitorar autoridades e familiares para fornecer subsídios à preparação de atentados. As investigações apontam que um dos denunciados teria acompanhado pessoalmente a rotina de Gakiya em Presidente Prudente, reunindo mapas e localizações, além de participar de negociações para aquisição de armamento pesado. Outro suspeito teria atuado como intermediário do grupo, auxiliando na exclusão de conversas e na destruição de vestígios digitais que poderiam incriminar os envolvidos. Em buscas realizadas na residência de um dos investigados, a polícia apreendeu munições.
Diante do conjunto de provas — que inclui mensagens, vídeos, áudios, registros de geolocalização e documentos extraídos dos aparelhos apreendidos —, o Ministério Público decidiu não denunciar os investigados pelo crime de ameaça, já que não tinha registro de comunicação direta de intimidação às vítimas. Ainda assim, a Promotoria pediu a prisão preventiva dos denunciados e a inclusão deles no Regime Disciplinar Diferenciado, em razão do que foi classificado como alta periculosidade dos investigados e de seu vínculo com a estrutura da facção.
O que a conclusão da operação representa
Para as forças de segurança, a prisão dos dois últimos forgidos fecha um ciclo iniciado há quase um ano e marca a neutralização de uma célula que, segundo a investigação, reúne informações estratégicas para viabilizar ataques contra agentes públicos no Oeste Paulista. A atuação conjunta entre a Polícia Civil, por meio do GOE/DEIC 8, e a Polícia Militar, com o 8º BAEP, é apontada pelas autoridades como seguras para localizar os últimos alvos que ainda seguiram foragidos desde a fase inicial da operação.
O caso reforça um padrão observado nos últimos anos no confronto entre o Ministério Público paulista e o PCC: promotores e agentes penitenciários responsáveis por decisões que afetam diretamente a rotina da facção — como transferências de lideranças para presídios federais de segurança máxima — passam a figurar como alvos de vigilância e, em alguns casos, de planos mais elaborados de retaliação. A conclusão da Operação Recon, para o pesquisador, é também um sinal de que esse tipo de esquema pode ser identificado e desarticulado antes de evoluir para uma tentativa efetiva de ataque.
As investigações sobre eventuais outros desdobramentos do caso, incluindo o andamento das ações penais contra os quatro homens agora sob custódia, seguem em curso na Justiça de São Paulo.
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