Parque Morro do Diabo: Um oásis de preservação em meio ao corredor de fogo do oeste paulista
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Enquanto a região de Teodoro Sampaio (SP) enfrenta recordes de incêndios, unidade de conservação completa mais de uma década sem registro de fogo em sua mata nativa.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a realidade do oeste paulista apresenta dois lados opostos. De um lado, cidades como Teodoro Sampaio amargam uma temporada de queimadas recorrentes, com focos de calor se multiplicando nas áreas de cana-de-açúcar e pastagens. Do outro, ergue-se um símbolo de resistência verde: o Parque Estadual Morro do Diabo, que há mais de dez anos não registra nenhum incêndio em sua área de floresta nativa.
Com 34 mil hectares de Mata Atlântica do interior – especificamente do tipo Floresta Estacional Semidecidual – o parque é um dos últimos refúgios do mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), primata endêmico e ameaçado de extinção. Enquanto a região sofre com a estiagem severa e ações criminosas ou negligentes que provocam queimadas, a unidade de conservação mantém um histórico invejável: a última grande ocorrência de fogo dentro dos limites do parque ocorreu em 2012.
De acordo com a Fundação Florestal de São Paulo, o sucesso se deve a um conjunto de estratégias. “Implementamos um plano de manejo integrado do fogo, com aceiros verdes, brigadistas treinados o ano inteiro e parcerias com os bombeiros e a comunidade do entorno”, explica Carla Mendes, gestora da unidade. Além disso, o parque realiza monitoramento por satélite em tempo real e campanhas educativas nas escolas de Teodoro Sampaio, Presidente Epitácio e Euclides da Cunha.
O contraste com a paisagem externa é brutal. Em 2024, o oeste paulista registrou um aumento de 45% nos focos de queimadas em relação à média dos últimos cinco anos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A fumaça encobre cidades, causa problemas respiratórios e destrói fragmentos florestais isolados. O Morro do Diabo, no entanto, permanece como uma ilha verde intacta, servindo de corredor ecológico para espécies como a anta, a onça-parda e o tamanduá-bandeira.
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| fonte da imagem: G1 Globo |
No Dia Mundial do Meio Ambiente, o exemplo do parque ensina que a preservação é possível, mesmo em regiões críticas. Não por acaso, o Morro do Diabo foi recentemente reconhecido como posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela UNESCO. Sua vegetação densa, que já sobreviveu à expansão agropecuária, agora resiste ao fogo graças à gestão humana consciente. Uma lição de que proteger o ambiente não é utopia – é planejamento, esforço e, acima de tudo, compromisso com o futuro.
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