Nova Rede de Centros de Reabilitação Wildlife Terá Investimento de R$ 67 Milhões no Interior Paulista
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Presidente Prudente está entre as 12 cidades contempladas; unidades devem operar até 2028 para aliviar superlotação e agilizar soltura de animais vítimas de tráfico e atropelamentos
O Governo do Estado de São Paulo anunciou, nesta semana, os planos definitivos para a construção de 12 novos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) no interior. Com um aporte superior a R$ 67 milhões, as unidades prometem revolucionar o atendimento à fauna nativa em uma das regiões com maior pressão de desmatamento e atropelamentos do país. A meta é que todos entrem em operação até 2028, reduzindo drasticamente a espera por vagas em hospitais veterinários públicos.
Entre as cidades selecionadas está Presidente Prudente, polo regional do oeste paulista. Atualmente, o único Cetras em funcionamento no estado fica na capital, no Horto Florestal, e atende cerca de 3 mil animais por ano – número que a secretaria considera insuficiente diário das demandas do interior. Com as novas instalações, a capacidade de triagem anual deve saltar para 12 mil pacientes, entre aves, répteis e mamíferos de pequeno e médio porte.
“A interiorização do atendimento é urgente. Muitos animais resgatados em rodovias como a Raposo Tavares ou apreendidos em cativeiros ilegais morrem no transporte porque o centro mais próximo fica a 600 km”, afirmou a engenheira florestal Renata Mendes, consultora do projeto. Cada Cetras contará com ambulatório, enfermaria, área de quarentena, recintos de adaptação e até pistas de voo para aves. A tecnologia incluirá telemedicina para consultas com especialistas em animais peçonhentos e felinos.
O investimento integra o programa “Fauna Viva”, lançado em 2025, e será custeado por compensações ambientais de multas e convênios com universidades estaduais (USP e Unesp). Presidente Prudente, por exemplo, terá parceria com a Faculdade de Ciências Agrárias da Unesp para formar estagiários e realizar pesquisas sobre reintrodução de tamanduás-bandeira e lobos-guará – espécies ameaçadas na região.
Entidades ambientalistas, porém, pedem cautela. “É um avanço histórico, mas precisamos de garantias de manutenção contínua. Sem verba para insumos e funcionários, os centros viram depósitos de bichos doentes”, alerta a ONG SOS Fauna Paulista. O governo respondeu informando que o orçamento anual de R$ 15 milhões já está previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027.
Enquanto as obras não começam – os editais saem até julho de 2026 –, a expectativa entre biólogos é grande. “Ver um ouriço-preto ou uma coruja-buraqueira voltar à natureza depois de uma fratura tratada é o que dá sentido ao trabalho. Com os novos Cetras, isso deixará de ser exceção”, celebra o veterinário Carlos Andrade, de Prudente. Até 2028, o interior paulista terá a maior rede descentralizada de reabilitação da América Latina. Resta saber se o cronograma e os cofres públicos resistirão ao teste.
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