Traços de uma vida: Artista do interior de SP celebra 50 anos de carreira

 


Traços de uma vida: Artista do interior de SP celebra 50 anos de carreira

fonte da imagem: G1 Globo 



Aos 60 anos, Cido Oliveira vê na inteligência artificial um recurso técnico, mas alerta: “Falta alma”










Natural de Presidente Prudente (SP), o artista plástico José Aparecido de Oliveira, conhecido como Cido Oliveira, começou a desenhar ainda criança, rabiscando nas margens dos cadernos escolares o que via do quintal de casa. Aos 10 anos, já fazia as primeiras pinturas com tinta guache e pincéis improvisados. Hoje, aos 60 anos, ele celebra meio século de dedicação às artes – uma trajetória que confunde sua própria biografia com a evolução da pintura nacional.

“Arte sempre foi meu respiro. No interior, longe dos grandes centros, aprendi que o pincel fala quando a palavra não consegue”, conta Cido, que mantém um ateliê em sua cidade natal e já expôs em galerias de São Paulo, Brasília e até na Europa. Sua obra, marcada por figuras regionais e cores fortes que remetem ao pôr do sol no oeste paulista, transita entre o expressionismo abstrato e o realismo afetivo.

Mas, ao olhar para o futuro, Cido não esconde a preocupação com o avanço das inteligências artificias generativas. Programas como Midjourney, DALL-E e outros sistemas que criam imagens em segundos a partir de comandos de texto têm revolucionado o mercado artístico – e dividido opiniões.

fonte da imagem: G1 Globo 



“A máquina copia, combina e reproduz padrões. Isso não é criar, é simular. Falta alma”, afirma ele, categórico. “Obra de arte verdadeira nasce da dor, do amor, do cansaço, da tinta que escorre e mancha a mão. Nenhum algoritmo vai sentir o cheiro da terra molhada ou chorar diante de uma tela inacabada.”

Apesar da crítica, Cido não rejeita a tecnologia como ferramenta. Ele conta que já usou aplicativos para estudar composições de luz e sombra antes de levar o pincel à tela. “O problema não é a máquina. É a ideia de que arte se resume a resultado rápido. IA pode até criar um quadro bonito, mas não vai assinar com o coração.”

Ao completar 50 anos de carreira, o artista se prepara para uma exposição retrospectiva em Presidente Prudente. “Vou pendurar telas de todas as fases. Dos rabiscos dos 10 anos às obras que fiz ontem. Para mostrar que arte é tempo vivido, não dado de presente por robô.” Pausa, sorri e conclui: “Que as IAs pintem. Nós, artistas, continuaremos a sentir.”





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