Por que os gatos bebem pouca água? Origem da espécie ajuda a explicar hábito que pode trazer riscos à saúde

 


Por que os gatos bebem pouca água? Origem da espécie ajuda a explicar hábito que pode trazer riscos à saúde


fonte da imagem: G1 Globo 



Instinto ancestral do felino doméstico está ligado à sobrevivência em desertos; tutores precisam ficar atentos à hidratação dos pets, especialmente no outono e inverno










Manter o corpo hidratado é um dos fatores mais importantes para a saúde, seja no mundo dos humanos ou no mundo dos pets. No entanto, para algumas espécies, é preciso um "empurrãozinho" quando o assunto é tomar água. E quem são eles? Os gatos.

Diferente dos cães, que muitas vezes esvaziam o pote de água em poucos minutos, os felinos domésticos são conhecidos por beber pequenas quantidades de líquido ao longo do dia. Esse comportamento, que preocupa muitos tutores, tem explicação direta na origem evolutiva da espécie.

Os gatos domésticos descendem do Felis lybica, um gato-selvagem africano que habitava regiões áridas e semiáridas, como desertos e savanas. Nesses ambientes, a água era escassa, e os ancestrais dos felinos desenvolveram mecanismos fisiológicos para sobreviver com pouca ingestão hídrica. Ao contrário dos cães — que são originários de regiões mais temperadas e úmidas —, os gatos evoluíram para obter a maior parte da água necessária por meio da alimentação, especialmente das presas que caçavam, como pequenos roedores e aves, que têm cerca de 70% a 80% de água no corpo.

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Por isso, mesmo depois de milhares de anos de domesticação, o organismo dos gatos ainda mantém essa herança: a sensação de sede é naturalmente reduzida, o que os leva a procurar menos o pote de água. Além disso, os rins felinos são extremamente eficientes em concentrar a urina, economizando líquidos — uma adaptação vital para a sobrevivência no deserto.

Esse consumo de líquido se torna ainda mais importante no outono e inverno, quando o clima costuma ser mais frio e seco. Com o ar menos úmido, os gatos perdem mais água pela respiração e pela pele, mesmo sem demonstrar sede. A ingestão insuficiente pode levar à formação de cristais na urina, cálculos renais e até insuficiência renal crônica — uma das principais causas de morte em felinos idosos.

Para estimular a hidratação, especialistas recomendam oferecer ração úmida (sachês ou patês) diariamente, pois o alimento contém cerca de 78% de água. Fontes de água corrente, como bebedouros com jato, também atraem os gatos, que têm preferência instintiva por líquidos em movimento — em ambiente natural, água parada poderia estar contaminada. Além disso, manter tigelas de cerâmica ou vidro, limpas e em locais tranquilos longe da comida e da caixa de areia, ajuda a incentivar o consumo.

Observar o comportamento do seu gato é essencial. Se ele parar de se alimentar ou apresentar letargia, urina muito concentrada ou vocalizações ao urinar, consulte um médico-veterinário. A origem desértica explica o hábito, mas não o justifica diante dos riscos à saúde do felino doméstico.

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