GAECO APONTA CASA ‘BEM PRECÁRIA’ EM CONJUNTO HABITACIONAL NO INTERIOR DE SP COMO SUPOSTA BASE DE 35 EMPRESAS DE FACHADA DO PCC
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Operação Vérnix revela endereços modestos em Martinópolis e Santo Anastácio que, segundo investigação, abrigavam dezenas de firmas usadas para lavagem de dinheiro do crime organizado
Uma casa simples em um conjunto habitacional na cidade de Martinópolis (SP) e outro imóvel em Santo Anastácio (SP) foram apontados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) como exemplos gritantes do uso de empresas de fachada para movimentar recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC). A revelação ocorreu durante entrevista coletiva sobre a Operação Vérnix, deflagrada nesta quarta-feira (21), que tem como alvos a influenciadora Deolane Bezerra, Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, e seus familiares.
Segundo os promotores, os dois endereços residenciais, descritos como “bem precários” e localizados em áreas de baixa renda, somam nada menos que 35 empresas registradas – a maioria delas sem qualquer sinal de atividade econômica real. Em Martinópolis, município com cerca de 25 mil habitantes, uma única residência em um conjunto habitacional abrigava 20 pessoas jurídicas. Já em Santo Anastácio, outras 15 empresas estavam registradas em um imóvel de características similares.
“Não há estrutura, funcionários, maquinário ou qualquer indício de que aqueles negócios realmente operem. É o retrato da lavagem de dinheiro via laranjas e empresas fantasmas”, afirmou um dos coordenadores do GAECO. A investigação aponta que essas firmas eram usadas para emitir notas fiscais frias, movimentar valores e ocultar patrimônio de integrantes do PCC, inclusive de Marcola.
A Operação Vérnix cumpriu mandados de busca e apreensão em múltiplos estados, mirando a influenciadora Deolane Bezerra – investigada por suposta ligação com jogos ilegais e lavagem de dinheiro – e o entorno da cúpula da facção criminosa. Os promotores destacaram que a sofisticação do esquema contrasta com a simplicidade dos endereços usados como sede das empresas, estratégia comum para despistar fiscais e cruzamentos de dados.
As prefeituras das duas cidades afirmaram que não tinham conhecimento dos registros em massa nos imóveis. O GAECO solicitou o cancelamento dos CNPJs e bloqueio de contas bancárias vinculadas às 35 empresas. A defesa de Marcola e de Deolane Bezerra ainda não se manifestou sobre as novas citações. As investigações continuam, sob sigilo de justiça, para rastrear todo o fluxo financeiro do esquema.
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