De onça-parda a araras e saguis: a luta silenciosa por trás da recuperação de animais silvestres no noroeste paulista

 


De onça-parda a araras e saguis: a luta silenciosa por trás da recuperação de animais silvestres no noroeste paulista

fonte da imagem: G1 Globo 


Em Fernandópolis, hospital veterinário acolhe cerca de 60 animais de 15 espécies; caso de filhote de onça encontrado em galinheiro escancara desafios da região









O olhar assustado e o corpo debilitado de um filhote de onça-parda encontrado dentro de um galinheiro em Jales (SP) mobilizou veterinários e ambientalistas do noroeste paulista e chamou atenção para uma estrutura que atualmente acolhe cerca de 60 animais de 15 espécies diferentes em Fernandópolis. O caso, ocorrido no último mês, expôs não apenas os impactos da expansão humana sobre a fauna, mas também o trabalho silencioso e essencial de um hospital veterinário especializado em animais silvestres na região.

O filhote, uma fêmea de aproximadamente quatro meses, foi resgatada por moradores após tentar atacar galinhas. Aparentemente desorientada e com sinais de desnutrição, ela foi encaminhada ao hospital veterinário municipal de Fernandópolis, que hoje funciona como um dos poucos centros de referência para fauna silvestre no noroeste do estado. Lá, passou por exames, hidratação e um plano de reintrodução alimentar. “Ela estava extremamente magra e com sinais de desidratação. O deslocamento para áreas urbanas tem sido cada vez mais comum devido à perda de habitat”, explica a médica-veterinária Renata Mendes, coordenadora do setor.


fonte da imagem: G1 Globo



Além da onça-parda, o local abriga atualmente araras-canindé, saguis-de-tufo-branco, gambás, corujas e jabutis, entre outros. Muitos chegam vítimas de atropelamentos, choques elétricos ou maus-tratos. A rotina inclui desde cirurgias ortopédicas complexas em aves até a estimulação comportamental de primatas que não podem mais retornar imediatamente à natureza.

Segundo dados da unidade, cerca de 70% dos animais recebidos têm condições de ser reabilitados e soltos em áreas protegidas. Os demais, por sequelas permanentes, acabam mantidos sob cuidados ou encaminhados para zoológicos com propósitos educativos. O desafio, porém, é orçamentário: o hospital opera com verba municipal apertada e doações.

“A onça já responde bem aos estímulos e começa a mostrar comportamento de caça. Se tudo der certo, em até três meses será devolvida à natureza, com monitoramento por GPS”, comemora Renata. O caso, que começou com um susto em um galinheiro, transformou-se em símbolo da importância de se proteger não apenas os animais, mas o equilíbrio de todo o ecossistema do noroeste paulista.


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