Câmeras na Mata Atlântica flagram filhote de mico-leão-preto no interior de SP
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| fonte da imagem: G1 Globo |
‘Indicador muito positivo’, diz pesquisadora; nascimento foi registrado por monitoramento remoto no Pontal do Paranapanema
No silêncio da Mata Atlântica, escondido entre galhos e cipós, um pequeno habitante deu seus primeiros passos sem ser incomodado pela presença humana. Graças a câmeras de monitoramento instaladas no Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, pesquisadores conseguiram flagrar um filhote de mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), espécie ameaçada de extinção. O registro foi divulgado no dia 24 de abril e é comemorado por especialistas como um sinal de recuperação da fauna local.
“Ver um filhote vivo e aparentemente saudável é um indicador muito positivo. Significa que o grupo está se reproduzindo e que o ambiente oferece recursos suficientes para a sobrevivência dessa nova geração”, afirma a pesquisadora responsável pelo projeto, que prefere não ter o nome divulgado por questões de segurança dos animais. As imagens capturadas mostram o adulto carregando o filhote nas costas enquanto procura por frutos e pequenos insetos — comportamento típico dos primeiros meses de vida da espécie.
O mico-leão-preto é endêmico da Mata Atlântica do interior paulista e considerado vulnerável na Lista Vermelha da IUCN. A população estimada é de cerca de 1,6 mil indivíduos em vida livre, muitos concentrados em fragmentos florestais do Pontal do Paranapanema, região que sofreu intenso desmatamento nas últimas décadas. As câmeras armadilhas foram instaladas em parceria com institutos de pesquisa e ONGs locais justamente para monitorar a reprodução e os hábitos dos poucos grupos remanescentes.
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Os primeiros meses de vida de um filhote de mico-leão-preto são críticos: dependência total da mãe, risco de predadores e necessidade de alimentação abundante. O fato de a armadilha fotográfica ter flagram a ninhada em diferentes dias sugere que o bando conseguiu proteger o recém-nascido nesse período delicado.
Para a bióloga e especialista em primatas Renata Mamede, que não integra o projeto mas comenta o caso, “monitoramento remoto de longo prazo é essencial para avaliar a saúde populacional. Cada filhote registrado é um passo longe do abismo da extinção”.
O projeto de monitoramento segue ativo, com novas câmeras sendo instaladas em áreas de restauração florestal. Enquanto isso, o pequeno mico-leão-preto segue crescendo sob o olhar atento das lentes — e a esperança renovada dos pesquisadores.
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