Operação Tiradentes 2024: Mais de 1,3 mil infrações e duas mortes em rodovias do Oeste Paulista
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Balanço do feriado prolongado revela números alarmantes de imprudência ao volante nos 1.580 km de estradas que ligam Presidente Prudente, Dracena e Presidente Venceslau; ultrapassagens proibidas e falta de cinto de segurança lideram autuações.
O feriado de Tiradentes, que neste ano foi estendido de quinta-feira (17) a domingo (21) de abril, terminou com um saldo trágico e preocupante nas rodovias do Oeste Paulista. De acordo com o balanço divulgado na manhã desta segunda-feira (22) pela concessionária que administra o trecho, foram registradas 1.376 infrações de trânsito e, o mais grave, duas mortes em acidentes ocorridos nos 1.580 quilômetros de estradas que abrangem as regiões de Presidente Prudente (SP), Dracena (SP) e Presidente Venceslau (SP).
Os números acendem um alerta vermelho para as autoridades e para os motoristas que trafegam por uma das malhas viárias mais movimentadas do interior paulista. A operação, que visava coibir excessos e garantir a fluidez do tráfego durante o aumento natural da circulação de veículos, acabou expondo a fragilidade do comportamento humano no trânsito.
Cenário de imprudência generalizada
A Operação Tiradentes 2024 concentrou esforços em pontos críticos identificados por estatísticas anteriores, como trechos de serra, curvas perigosas e áreas de travessia urbana. No entanto, a fiscalização intensiva – com uso de radares portáteis, bafômetros e policiamento tático – flagrou motoristas cometendo infrações graves de forma recorrente.
As ultrapassagens proibidas, também chamadas de “ultrapassagens forçadas” ou em locais com faixa contínua, foram a campeãs de autuações. Foram 312 casos flagrados pelas câmeras e pelos agentes em campo. Em segundo lugar, a falta ou uso incorreto do cinto de segurança apareceu em 287 notificações. O uso do celular ao volante, uma das causas mais frequentes de distração e colisões, foi registrado 203 vezes.
“O que vimos nesses cinco dias foi uma repetição de comportamentos que já sabemos serem fatais. O motorista parece ter normalizado o risco. A pressa para chegar ao destino, aliada ao excesso de confiança, transforma a estrada em um campo de batalha”, afirmou o tenente-coronel Ricardo Mendes, comandante do policiamento rodoviário da região.
As duas mortes: histórias que poderiam ter sido evitadas
O saldo mais doloroso da operação foi a confirmação de dois óbitos em acidentes distintos. As vítimas, ambos homens de 42 e 56 anos, morreram no local dos impactos, segundo o Corpo de Bombeiros.
O primeiro acidente fatal ocorreu na noite de quinta-feira (17), no km 112 da SP-425, trecho que liga Presidente Prudente a Dracena. Uma colisão frontal entre um carro de passeio e uma caminhonete foi causada, segundo testemunhas, por uma tentativa de ultrapassagem em local proibido. O motorista do carro, um professor da rede estadual que retornava para casa após um jantar em família, morreu preso às ferragens. O condutor da caminhonete teve ferimentos leves e foi submetido ao teste do bafômetro, que acusou 0,4 miligrama de álcool por litro de ar expelido – configurando crime de trânsito. Ele foi preso em flagrante.
O segundo óbito aconteceu no domingo (21), por volta das 16h, na SP-613, próximo a Presidente Venceslau. Um motociclista de 56 anos perdeu o controle da moto ao desviar de um buraco na pista e foi atingido por um ônibus que vinha no sentido contrário. Ele não usava capacete no momento do impacto. A perícia ainda investiga se o equipamento poderia ter salvo sua vida, mas o desfecho reforça a estatística: o capacete reduz em 70% o risco de morte em acidentes com motos.
Excesso de velocidade e embriaguez ao volante
Apesar da redução do limite de velocidade em muitos trechos e da sinalização ostensiva, os radares registraram 457 veículos acima da velocidade máxima permitida. Um dos casos mais impressionantes foi o de um motorista de um carro esportivo, flagrado a 198 km/h em um trecho de 110 km/h. Ele foi multado, teve a carteira apreendida e o veículo guinchado.
Já a Operação Lei Seca, que contou com 23 barreiras móveis espalhadas pelas três regiões, resultou na prisão de seis motoristas por embriaguez ao volante. Outros 41 condutores foram autuados por dirigir sob influência de álcool, mas com índice abaixo do limite criminal. O número é 15% maior do que o registrado na mesma operação no ano anterior.
“A mensagem não está sendo assimilada. Beber e dirigir continua sendo um dos principais vetores de mortes no trânsito brasileiro. E aqui no Oeste Paulista, infelizmente, os números mostram que estamos perdendo a batalha”, desabafou a promotora de Justiça Ana Carolina Rigotti, especialista em trânsito.
O papel das rodovias e a responsabilidade dos órgãos
Os 1.580 quilômetros de rodovias sob responsabilidade da concessão na região formam um complexo emaranhado de pistas simples e duplicadas, com tráfego intenso de carros, caminhões e carretas que escoam a produção agrícola do interior. A infraestrutura, embora classificada como boa pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ainda apresenta pontos de estrangulamento – como os acessos a Dracena e a travessia urbana de Presidente Venceslau.
A concessionária responsável informou, por meio de nota, que investiu R$ 4,2 milhões em melhorias nos últimos seis meses, incluindo novos radares, revitalização da sinalização horizontal e ampliação do serviço de guinchos. No entanto, admite que o fator humano é o maior desafio. “Podemos ter a melhor estrada do mundo, mas se o motorista insiste em correr, beber e não usar o cinto, o risco permanecerá”, diz o comunicado.
Comparativo com anos anteriores e metas de redução
Os números da Operação Tiradentes 2024 são piores do que os de 2023, quando foram registradas 1.002 infrações e uma morte no mesmo período. As autoridades já trabalham com a hipótese de que o feriado prolongado – que neste ano teve cinco dias seguidos – contribuiu para o aumento do fluxo e, consequentemente, das imprudências. Mas o percentual de aumento de 37% nas infrações preocupa.
O governo estadual, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP), anunciou que nos próximos meses intensificará campanhas educativas em postos de pedágio e em escolas de formação de condutores. A meta é reduzir em 20% o número de mortes nas rodovias da região até o fim de 2025.
Vítimas e familiares: a dor que fica
Enquanto os números frios ocupam as planilhas das autoridades, familiares das vítimas vivem o luto. A esposa do professor morto na SP-425, que pediu para não ser identificada, deu um depoimento breve à reportagem: “Ele era um motorista cuidadoso. Ia devagar. Morreu porque outro ser humano resolveu beber e fazer uma ultrapassagem criminosa. Nada vai trazer ele de volta, mas espero que essa prisão sirva de lição.”
O corpo do motociclista foi sepultado na manhã desta segunda-feira (22) em Presidente Venceslau. Parentes relataram que ele sempre reclamava do estado do asfalto no trecho onde morreu. O laudo da perícia, que deverá sair em até 30 dias, poderá apontar responsabilidades compartilhadas entre o condutor e o órgão mantenedor da via.
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| fonte da imagem: G1 Globo |
alerta final
Ao fim da Operação Tiradentes, o que fica é um retrato cruel da realidade do trânsito brasileiro: mais de 1,3 mil infrações, duas vidas perdidas, famílias destruídas e uma sensação de que pouco se aprendeu com as tragédias anteriores. As rodovias do Oeste Paulista, que cortam cidades dinâmicas e produtivas, tornaram-se também o palco da impaciência, da irresponsabilidade e da falta de empatia.
As autoridades prometem mais fiscalização, mais radares e mais barreiras. Mas, enquanto cada motorista não assumir para si o compromisso de dirigir com consciência – respeitando limites, evitando o álcool e protegendo a própria vida e a dos outros – os números continuarão a subir. E os feriados, em vez de celebração, serão sinônimo de dor.
A reportagem encerra com um apelo seco e direto, repetido à exaustão por quem trabalha na linha de frente do resgate: “No trânsito, o destino se escreve a cada escolha. Escolha viver.”
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