Gingo Terapia: Capoeira adaptada que transforma a terceira idade no interior de SP
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Em Presidente Venceslau, idosos encontram na ginga leve da capoeira um caminho para saúde, autonomia e convivência social
Em meio ao clima ameno do outono, um grupo de idosos de Presidente Venceslau (SP) tem encontrado uma motivação diferente para sair da rotina e se exercitar: a gingo terapia. Adaptação da capoeira tradicional, a prática une movimentos suaves, música e respeito aos limites do corpo maduro, promovendo mais do que condicionamento físico — resgata a autoestima e a alegria de pertencer a um grupo.
Criada pelo educador físico e capoeirista Marcos “Gingado”, a atividade nasceu da percepção de que muitos idosos se sentiam excluídos de exercícios convencionais, seja por medo de lesões ou por falta de estímulo lúdico. “A capoeira tem a ginga, o ritmo, a roda. Tirei os golpes de impacto e mantive o essencial: o movimento contínuo, a musicalidade e o encontro”, explica.
As aulas acontecem duas vezes por semana no Centro de Convivência do Idoso. Com cadeiras dispostas em roda e pandeiros nas mãos, os participantes — com idades entre 65 e 88 anos — realizam alongamentos, giros de tronco, passos laterais e rodopios lentos, sempre ao som de berimbau e cantigas adaptadas. Dona Maria Aparecida, 74 anos, conta que mal conseguia levantar da cama sem dores nas costas antes de começar a terapia. “Hoje, minha coluna agradece. E o melhor é a farra depois da aula, o cafezinho e a conversa.”
Voltada à terceira idade, a atividade busca promover o bem-estar físico e mental de forma leve e descontraída. Estudos recentes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente, em parceria com o projeto, indicam melhorias significativas no equilíbrio, na mobilidade articular e na redução do isolamento social entre os participantes.
Além dos benefícios motores, a ginga terapia fortalece a memória — os idosos precisam lembrar as sequências de movimentos e as letras das músicas — e estimula a interação. Seu João Batista, 81 anos, ex-sapateiro, nunca havia praticado esporte na vida. “Achava que era tarde. Agora, sou o primeiro a chegar. É minha segunda família.”
A prefeitura local já estuda expandir o projeto para outros bairros e formar novos monitores. Enquanto isso, a roda de terça e quinta segue firme. Na contramão do sedentarismo e da solidão, a ginga leve dos cabelos brancos prova que envelhecer pode ser sinônimo de movimento, ritmo e pertencimento.
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