O DIA EM QUE INÁCIO MATOU UM "HOMEM": A TRAGÉDIA DE CRIXÁS E O RAIO VERDE QUE CONDENOU UM CAPATAZ

 


O DIA EM QUE INÁCIO MATOU UM "HOMEM": A TRAGÉDIA DE CRIXÁS E O RAIO VERDE QUE CONDENOU UM CAPATAZ




Há 57 anos, no interior de Goiás, o peão Inácio de Souza atirou em uma criatura humanóide ao lado de um disco voador. Atingido por um feixe de luz, ele morreu 59 dias depois. Até hoje, o caso divide opiniões entre ufólogos e céticos, envolto em mistério, radiação e uma suposta leucemia pré-existente.











Crixás, Goiás – 1967. O sol da tarde de 13 de agosto ainda incidia sobre a Fazenda Santa Maria, uma propriedade pacata no interior de Goiás, distante cerca de 350 km de Goiânia. Para o capataz Inácio de Souza, de 41 anos, era um dia como outro qualquer. Casado, pai de cinco filhos, homem rústico e conhecido na região por uma habilidade peculiar: era um atirador de mão cheia. Com sua espingarda, era capaz de acertar uma pomba em pleno voo a dezenas de metros de distância. Nenhum dos moradores da fazenda imaginava que, naquela tarde, a pontaria de Inácio o colocaria frente a frente com o desconhecido — e que o preço desse encontro seria a sua própria vida.

O que se desenrolou no pasto próximo à pista de pouso da fazenda entraria para a história da ufologia mundial como o Caso Crixás ou o Caso Inácio de Souza: uma das narrativas mais violentas, detalhadas e controversas de interação humana com supostos seres extraterrestres no Brasil .


O Encontro: "Três Crianças" ao Lado de uma "Bacia Invertida"

Eram aproximadamente 16h quando Inácio e sua esposa, Maria de Souza, estavam do lado de fora de sua humilde residência na fazenda. Ao olharem para o pasto adjacente, que era cortado por uma pista de pouso de pequenos aviões, avistaram algo que não deveria estar lá.

Havia um objeto estranho pousado no chão. A descrição dada pelo casal foi a de um objeto metálico, com formato semelhante a uma bacia invertida ou um prato. Ao redor dele, três pequenas figuras se movimentavam. A princípio, Inácio e Maria acreditaram que fossem crianças nuas, uma visão que incomodou o capataz, que considerou a situação um desrespeito à presença de sua esposa .

Movido pela indignação e pela curiosidade, Inácio decidiu caminhar em direção ao grupo. Conforme se aproximava, o cenário mudou drasticamente. Não se tratava de crianças. As figuras, de estatura baixa, não estavam nuas, mas sim vestidas com macacões colados ao corpo, de cor amarelo-clara. Suas cabeças eram completamente calvas e suas feições, embora humanóides, eram estranhas e incomuns .

Nesse instante, as criaturas perceberam a aproximação do casal. Um dos seres apontou diretamente para Inácio e Maria. Imediatamente, os três humanoides saíram correndo em sua direção em um movimento que as testemunhas descreveram como "saltitante", semelhante ao de crianças brincando, mas em silêncio absoluto .

O terror tomou conta do casal. Inácio, sentindo-se ameaçado, gritou para que Maria corresse para dentro de casa e se trancasse. Ele, por sua vez, empunhou sua arma — uma espingarda Winchester calibre .44. Acreditando que fossem pessoas de São Paulo que teriam vindo para roubar ou matar sua família, ele tomou a decisão mais drástica de sua vida .




Com a precisão de quem acertava pombas em voo, Inácio mirou em um dos seres, que estimava estar a cerca de 60 metros de distância, e disparou. O tiro foi certeiro, atingindo a cabeça da criatura, que caiu imediatamente no chão .

O Raio Verde e a Contagem Regressiva

No segundo seguinte ao disparo, a reação foi instantânea e devastadora. Da parte superior do objeto metálico estacionado, um raio de luz verde disparou em direção a Inácio, atingindo-o em cheio no lado esquerdo do peito. A descrição é a de que o feixe parecia uma lanterna, mas de energia intensa. Inácio caiu desacordado na hora .

Dentro de casa, Maria observava tudo pela janela da cozinha. Ao ver o marido caído, seu instinto falou mais alto que o medo. Ela saiu correndo, pegou a espingarda caída ao lado de Inácio e se posicionou entre ele e os seres, pronta para atirar para defendê-lo.

No entanto, o contra-ataque não veio. As criaturas ignoraram Maria. Elas rapidamente se reuniram, pegaram o ser que havia sido baleado por Inácio e o carregaram para dentro da nave. Em seguida, o disco voador começou a emitir um forte zumbido, comparado ao som de abelhas, e levantou voo lentamente na vertical, ganhando altitude e velocidade até desaparecer no céu .

Inácio foi socorrido e levado às pressas para um hospital em Goiânia. Ele estava vivo, mas os efeitos do raio verde já se manifestavam. O capataz, antes forte e saudável, passou a sofrer de náuseas constantes, formigamento, dormência por todo o corpo e tremores incontroláveis nas mãos. No ombro esquerdo, onde fora atingido, surgiu uma mancha escura e uma queimadura circular de aproximadamente 15 centímetros de diâmetro .
O Patrão, o Médico e o Diagnóstico Fatal

Três dias após o incidente, o dono da fazenda Santa Maria chegou ao local. Tratava-se de um homem influente, posteriormente identificado como Ibiracy de Moraes (na época referido apenas como "A.S.M." para preservar sua identidade), que era industrial e, segundo algumas fontes, então presidente do Banco do Brasil .

Ibiracy encontrou seu funcionário de confiança acamado e debilitado. Ao perguntar o que havia acontecido, ouviu de Inácio uma resposta estarrecedora: "Patrão, eu matei um homem!" . Inicialmente, Inácio acreditava ter matado um invasor comum. Foi então que narrou a história completa a Ibiracy.




Preocupado com a saúde do capataz e intrigado com o relato, Ibiracy decidiu levá-lo a Goiânia para uma consulta médica detalhada, pedindo-lhe que mantivesse silêncio sobre o caso.

O médico que atendeu Inácio, cujo nome nunca foi revelado para preservar sua reputação profissional, observou a estranha queimadura circular e os sintomas sistêmicos. Inicialmente, tratou a lesão com pomada de picrato de butesina, indicada para queimaduras comuns, e especulou que os outros sintomas poderiam ser decorrentes da ingestão de alguma planta tóxica .

Foi então que Ibiracy decidiu contar ao médico toda a verdade sobre o ocorrido em Crixás. O médico, incrédulo a princípio, questionou Inácio se ele já havia ouvido falar de discos voadores ou objetos voadores não identificados. A resposta foi negativa. Inácio era um homem simples, analfabeto, que nunca tivera contato com esses conceitos, o que, para os pesquisadores, conferia autentidade ao seu relato .

Diante da gravidade, o médico internou Inácio para uma bateria de exames completos. Quatro dias depois, o diagnóstico era terminal. Os exames de sangue revelaram um quadro fulminante de leucemia. O médico foi categórico com Ibiracy: Inácio teria, no máximo, 60 dias de vida. Ele aconselhou o empresário a esquecer toda a história, a não procurá-lo novamente e a aceitar o diagnóstico como uma fatalidade clínica .

Inácio de Souza não resistiu. No dia 11 de outubro de 1967, exatos 59 dias após ser atingido pelo misterioso raio verde, ele faleceu. Sua saúde deteriorou-se rapidamente nos últimos dias: ele emagreceu, sentia dores terríveis e manchas estranhas espalharam-se pelo corpo. Antes de morrer, em um lampejo de lucidez, pediu à esposa que queimasse todas as roupas que usava no dia do ataque, bem como o colchão e a cama em que dormia, como se temesse uma contaminação invisível. No atestado de óbito, a causa mortis foi registrada como leucemia .

A Investigação Ufológica e a Polêmica

A história só veio a público graças à iniciativa de Ibiracy de Moraes. Dias antes da morte de Inácio, ele viajou a Porto Alegre e contatou o Grupo Gaúcho para a Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (GGIOANI). O renomado ufólogo Felipe Machado Carrión colheu os depoimentos de Ibiracy e de Maria de Souza, registrando o caso para a posteridade .

O primeiro artigo conhecido sobre o Caso Crixás foi publicado em 1969 na conceituada revista inglesa Flying Saucer Review, escrita pelo ufólogo brasileiro Nigel Rimes. O caso rapidamente ganhou notoriedade mundial como um dos raros episódios de "hostilidade" mútua entre humanos e seres extraterrestres, com consequências fatais comprovadas.

No entanto, o caso nunca foi pacífico. Em 1975, a Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores, no Rio de Janeiro, publicou um boletim especial analisando 50 casos brasileiros. Para surpresa de muitos, o Caso Crixás foi listado na sessão de "Material Excluído" .

Os motivos eram contundentes:




Má investigação: Os pesquisadores originais não conseguiram interrogar diretamente o médico que atendeu Inácio, não ouviram outros familiares e não tiveram acesso primário aos resultados dos exames de sangue.


Leucemia pré-existente: A Sociedade Brasileira mencionou que técnicos da SIOANI (Sociedade de Investigação de Obisos Aéreos Não Identificados), liderados por Gilberto Zani, teriam concluído que Inácio de Souza "já era leucêmico antes do evento" .

Esta informação jogou um balde de água fria na versão mais misteriosa do caso. A tese de que o raio verde teria induzido a leucemia foi substituída pela hipótese de que a doença, silenciosa, já estava em curso e que o encontro com o OVNI pode ter sido apenas um evento traumático concomitante, ou que o estresse e os sintomas da doença é que foram erroneamente atribuídos à luz. A radiação, neste caso, não teria sido a causa, mas sim um fenômeno independente que deixou uma marca física (a queimadura), enquanto a doença seguia seu curso natural.


O Mistério que Permanece

Apesar da conclusão da Sociedade Brasileira, o Caso Crixás permanece como um dos mais enigmáticos da ufologia nacional. A queimadura de 15 cm no peito de Inácio existiu e foi documentada. O testemunho de Maria, que viu os seres e a nave, foi consistente até o fim. O depoimento de Ibiracy de Moraes, um homem de reputação ilibada no mundo dos negócios, deu credibilidade à narrativa .

Afinal, se Inácio já estava doente, o que ele viu naquela tarde em Crixás? Ele teria realmente atirado em um ser de outro mundo ou em um invasor comum, que fugiu em uma aeronave avançada e desconhecida na época? E a luz verde que o atingiu e deixou uma marca tão peculiar em seu corpo, seria uma coincidência cósmica?

O corpo de Inácio de Souza se foi, suas roupas e cama foram queimadas. O que restou foram relatos, documentos, e uma cicatriz na história de Goiás. A Fazenda Santa Maria, hoje, guarda apenas as lembranças de um caso que, para os céticos, é uma fatalidade clínica com um pano de fundo fantasioso, mas para os ufólogos, é um dos maiores indícios de que não estamos sós — e de que um encontro com o "outro" pode ser mais perigoso do que se imagina.

Até hoje, pesquisadores independentes buscam nos arquivos médicos de Goiânia e nos documentos da antiga SIOANI a prova definitiva que possa, finalmente, selar o destino da história de Inácio de Souza: vítima de uma doença terrível ou mártir de um contato imediato do terceiro tipo?


Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem