"Dormíamos com ele": Casal mantém corpo de companheiro em decomposição por 18 meses e usa benefícios da vítima enquanto cães roíam os restos mortais
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Polícia identificou a vítima como James O'Neill, de 64 anos, após descobrir que um dos suspeitos se passava por ele por telefone; caso veio à tona durante visita de rotina do irmão que tentava entregar uma herança
LAKEWOOD, CO — O que deveria ser uma tarde comum de uma visita familiar se transformou em um dos casos mais macabros já registrados no Colorado. Durante uma verificação de bem-estar solicitada por um irmão preocupado, a polícia de Lakewood se deparou com uma cena digna de roteiro de terror: dentro de um apartamento na suburbana Lakeland, o corpo em avançado estado de decomposição de James O'Neill, de 64 anos, estava escondido debaixo de um colchão de ar, enquanto o casal com quem ele vivia, James Agnew (55) e Suzanne Agnew (57), continuava a usar seu cartão de benefícios e a dormir sobre seus restos mortais .
A descoberta, ocorrida em 3 de julho, só foi possível porque o irmão da vítima, que não tinha notícias de O'Neill há mais de um ano, tentava contatá-lo para informar sobre uma herança recebida. Ao não conseguir resposta, acionou as autoridades. O que os agentes encontraram ao arrombar a porta do condomínio naquela manhã gelada expôs não apenas um crime, mas uma complexa e perturbadora dinâmica relacional que envolvia um triângulo amoroso, poliamor e uma chocante naturalização da morte .
O Cenário do Crime
Segundo o affidavit de prisão obtido pela polícia, o corpo de O'Neill estava em estágio avançado de decomposição. A causa aparente da morte, de acordo com declarações de Suzanne Agnew, teria sido natural — uma condição médica não especificada que teria vitimado O'Neill ainda em dezembro de 2023 . No entanto, a decisão do casal de não relatar o óbito transformou uma fatalidade em um pesadelo forense.
Ao serem questionados sobre o motivo de não terem procurado ajuda, Suzanne deu uma explicação que gelou os investigadores. Ela alegou que não moveu o corpo nem contatou ninguém após a morte de O'Neill. Mais chocante ainda, ela revelou que ela e o marido decidiram ocultar o cadáver porque seus cães da raça chihuahua haviam começado a roer o corpo do companheiro morto .
"Ela mencionou que não queria 'desistir' do James (Agnew) e que, para evitar que os cachorros continuassem a mutilar o corpo, eles o colocaram debaixo de um colchão de ar", relatou um dos policiais presentes no local, conforme consta nos documentos da acusação obtidos pela emissora 9NEWS . A imagem perversa sugere que, durante um ano e meio, o casal literalmente dormiu sobre os restos mortais do parceiro enquanto os animais de estimação circulavam pelo apartamento.
A Farsa do Benefício
Se a ocultação do cadáver já não fosse suficientemente grave, a motivação financeira logo veio à tona. A polícia descobriu que, durante os 18 meses seguintes à morte de O'Neill, o casal Agnew continuou a utilizar a conta bancária da vítima e a receber seus benefícios da Previdência Social (Social Security) .
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| fonte da imagem: G1 Globo |
Para manter a farsa funcionando, James Agnew chegou a assumir a identidade de O'Neill em pelo menos uma ocasião. Durante a verificação de bem-estar que antecedeu a descoberta do corpo, James teria atendido os policiais e se passado pelo companheiro falecido, afirmando que não queria qualquer envolvimento policial com sua família e que estava bem, apenas recluso -.
A farsa só caiu quando o irmão de O'Neill, que havia acionado a polícia, foi confrontado com as imagens das câmeras corporais dos agentes. Ele imediatamente identificou que o homem no vídeo não era seu irmão, dando início à busca mais aprofundada que levaria à descoberta do corpo .
A Dinâmica do Relacionamento
Longe de ser uma simples relação de dois, o caso envolvendo os Agnew e O'Neill era um intrincado relacionamento poliamoroso. Suzanne Agnew confirmou aos investigadores que ela, seu marido e O'Neill viviam juntos há anos e mantinham um vínculo afetivo e sexual .
Apesar dessa aparente harmonia, os registros indicam que a convivência nem sempre foi pacífica. Em dezembro de 2023, poucas semanas antes de sua morte, o próprio O'Neill havia feito uma chamada de emergência para o 911, relatando que seu colega de quarto (identificado posteriormente como James Agnew) havia feito "ameaças" contra ele. Curiosamente, na ocasião, O'Neill pediu que a polícia não fosse até a residência, o que pode indicar medo de represálias ou uma tentativa de resolver a situação internamente .
Para a polícia, essa ligação é uma peça-chave para entender o clima que precedeu a morte, embora, até o momento, nenhum dos dois tenha sido acusado pela morte de O'Neill, que segue sendo tratada como não criminosa pela ausência de evidências de violência no corpo em decomposição .
As Acusações e a Comoção Social
James e Suzanne Agnew foram presos em flagrante e levados para o centro de detenção do condado de Jefferson. Eles enfrentam agora múltiplas acusações que incluem:
Abuso de cadáver (tampering with a deceased human body)
Roubo (theft)
Uso não autorizado de dispositivo financeiro
A comunidade de Lakewood, um subúrbio tradicionalmente tranquilo, está em estado de choque. Vizinhos do condomínio onde o trio vivia descreveram os Agnew e O'Neill como pessoas discretas. "Nunca imaginei que algo assim estiv acontecendo ao lado. Você vê as pessoas entrando e saindo, mas nunca imagina que há um corpo sendo ocultado ali dentro", disse um vizinho que preferiu não se identificar à imprensa local.
Especialistas em psicologia criminal ouvidos pela reportagem apontam que o caso ilustra um fenômeno raro, mas não inédito, chamado de "síndrome do cadáver oculto", onde a dificuldade de lidar com a perda, somada a interesses financeiros, leva pessoas a manterem o falecido por perto, negando a realidade da morte.
"A frieza de continuar usando o cartão de crédito da vítima e, principalmente, de usar os cães como justificativa para esconder o corpo, demonstra uma desconexão com a realidade e a moralidade que é assustadora. Eles não viram O'Neill como uma pessoa que morreu, mas como um obstáculo ou um recurso", analisa a criminologista Dra. Elena Martinez.
O Que Diz a Defesa
Até o fechamento desta edição, os advogados de James e Suzanne Agnew não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações. Os dois permanecem detidos sem possibilidade de fiança, aguardando a audiência de instrução que deve ocorrer nas próximas semanas . Não há informações sobre como eles pretendem se defender, mas a principal linha de argumentação deve girar em torno da alegação de que a morte foi por causas naturais e que o ocultamento se deu por desespero e medo, e não por dolo.
O caso, no entanto, reacende o debate sobre a fragilidade dos sistemas de verificação de benefícios sociais e sobre como a solidão e o isolamento nas grandes cidades podem permitir que tragédias pessoais se transformem em horrores compartilhados. James O'Neill, que estava afastado da família, ficou morto por mais tempo do que muitos cadáveres em necrotérios legais, servindo de cama e de caixa eletrônico para as pessoas com quem escolheu dividir a vida.
A polícia de Lakewood continua a investigar se houve negligência criminosa ou se a causa da morte pode ser reavaliada após os laudos da autópsia, que foram dificultados justamente pelo estado avançado de decomposição do corpo e pela ação dos animais . Enquanto isso, a pequena comunidade de Lakeland tenta digerir a história de que, por um ano e meio, a morte dormiu no andar de cima, enquanto a vida — e a perversidade — seguiam seu curso no andar de baixo.
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